Novos Chefes Jovens

Por: Ubiratan Bonino 15/12/2013

Novos chefes jovens

Ninguém  duvida de que num futuro próximo a maioria dos cargos de gestão estará nas mãos dos jovens com menos de 30 anos. É simples: eles são ambiciosos, dominam o mundo virtual, se adaptam bem às novas tecnologias, são fluentes em mais de uma língua, questionam a hierarquia e não se conformam em passar muito tempo fazendo a mesma tarefa. Eles ainda têm a seu favor um mercado aquecido que os recebe bem e obriga as empresas a anteciparem o processo de retenção dos melhores.

     Todas as pesquisas de RH veiculadas nas principais mídias mostram a mesma coisa: jovens impacientes e ambiciosos que forçam a progressão de carreira. Mas nem tudo são flores, eles também vão enfrentar os mesmos desafios e problemas que seus antecessores enfrentaram. Resta saber se dessa vez haverá o mea culpa e a mudança de discurso. Talvez o maior desafio não seja o entendimento dos processos, a administração dos negócios e a expertise em controles, mas o domínio da ansiedade e a descoberta de uma forma serena e segura de liderar. Falo da ansiedade porque ela tem sido fato comum na vida do jovem ambicioso, e falo da serenidade e segurança porque ele vai ter que aprender a lidar com a cobrança de quem quer o seu lugar, e muito mais, dos seus superiores hierarquicamente, que investiram e agora esperam pelo resultado. Todos os executivos, sem exceção, classificam a gestão de pessoas como a parte mais difícil do processo. Lidar com gente é muito complicado, é preciso ter muitas conversas difíceis! As queixas mais comuns dos novos são referentes à falta de preparo dos chefes mais antigos em lidar com os jovens e à quantidade de aprovações exigidas para liberar alguma coisa. Eles também reclamam que não existe a preocupação com o lado humano, uma melhor qualidade de vida, e que só enxergam quem traz resultados.

   Recentemente entrevistamos alguns jovens gestores e perguntamos o que eles estão fazendo para humanizar a empresa. Como estão interagindo com os seus jovens subordinados. A resposta foi a mesma: “Vivemos sob uma estrutura burocrática que nos leva a fazer o que sempre reclamamos”. Então perguntamos: e aí, você vai aceitar ou vai procurar outro lugar para trabalhar? “Por enquanto vou ficar aqui na expectativa de mudar essa empresa, quando o meu tempo acabar, se nada aqui mudar, eu vou para outro lugar, mesmo sabendo que não vou encontrar nada muito diferente”.

Como já assistimos a esse filme, podemos afirmar que quando agimos com justiça, falamos às pessoas o que fazer e como fazer, delegamos com responsabilidade, acompanhamos o desempenho e aconselhamos o melhor caminho, assim como também apontamos as falhas, liderar se torna menos difícil e até prazeroso.