Dando continuidade às reflexões propostas por Mihaly Csikszentmihaly em seu livro “Gestão Qualificada”, entende-se como visão, na linguagem empresarial, a antecipação de um estado futuro da organização, a evolução antecipada de uma organização que se fez consciente de suas potencialidades.” O que requer investimentos para possibilitar que tal evolução de fato aconteça.

Quando a visão de um líder inclui fazer o melhor trabalho possível, ajudar a humanidade e o meio ambiente, obedecer a um propósito de maior alcance, pode-se dizer que toda a organização fica investida de uma “alma”. Quando isso acontece na prática, a visão se torna um imã que atrai as energias de todos os membros da organização, porque quando o trabalho contribui para uma causa maior, a satisfação de fazer parte torna-se fonte poderosa de motivação, mesmo quando outras recompensas disponíveis não são tão atraentes.

Na pesquisa realizada pelo autor com os líderes visionários sobre as suas formas de atuar, ele identificou cinco traços considerados os mais importantes em suas atitudes com relação à vida:

  1. Otimismo: que consiste em pensar positivamente sobre as pessoas e sobre o futuro, baseado na convicção pessoal de que se tem um papel significativo a desempenhar na vida. É o que dá autoconfiança para resolver as questões mais difíceis e muitas vezes é acompanhado por um sentido de missão nessa vida e é o que dá sentido à própria existência.
  2. Integridade: sólida crença na importância dos princípios que dão sustentação à confiança mútua. A fim de confiar nos outros, a pessoa precisa confiar em si mesma e ter a confiança dos outros, para tanto, a integridade de caráter é fundamental.
  3. Elevado nível de ambição combinado com perseverança: o que permite enfrentar os tempos difíceis e os desafios cada vez mais complexos. Quando se estabelece objetivos ambiciosos, desafiadores, aumenta-se o nível de motivação e a tenacidade, a perseverança para atingir os objetivos.
  4. Curiosidade e vontade de aprender para não correr riscos de se tornar egoísta na ambição e autocentrado que impeça de buscar novos conhecimentos e conexões, porque é com esse aprendizado que se cresce, tornando-se sempre mais do que se era antes.
  5. Empatia e respeito mútuo para não só blindar a possibilidade de se tornar egoísta, mas compreender melhor as necessidades dos outros e respeitá-las.

Vale registrar aqui o pensamento do autor:

“A fim de proporcionar o flow na vida de cada pessoa o máximo possível, a primeira providência a ser tomada é definir prioridades – os objetivos pelos quais, conforme a opinião de cada um, vale a pena viver. O conhecimento dessas prioridades significará a concretização do objetivo maior, capaz de transformar uma existência banal numa aventura significativa e ajudará também a moldar a visão que irá incentivar outras pessoas a investir suas energias na organização.

Para que isso ocorra é preciso definir e dar expressão aos seus valores essenciais o que exige investir no autoconhecimento.

Mesmo considerando a importância da abordagem filosófica, psicanalítica entre outras, o que conta verdadeiramente no processo de autoconhecer-se é refletir seriamente a respeito da experiência própria, perguntando-se:

  • “o que é mais importante para mim?”
  • “quais são as pessoas que mais admiro?”
  • “Que tipo de pessoa eu não gostaria de maneira alguma ser?”
  • ”Quais são os valores sobre os quais eu não transigiria de maneira alguma?”

Mihaly enfatiza:

A pergunta ‘quem eu quero ser’ tem sua melhor resposta não no presente, mas em uma visão voltada a criar quem eu gostaria de ser. “

E sugere ter a morte como conselheira, perguntando-se “quando chegar ao fim dos meus dias, estarei arrependido dessas escolhas, ou muito feliz?” 

Nessa jornada é preciso identificar quais são os talentos, aptidões e capacidades para desenvolvê-las o máximo possível, nesse sentido que é preciso estar atento para qualquer coisa que pudermos fazer bem, que gostamos de fazer e que tiver demanda, vale a pena levar a sério como capacidade a ser desenvolvida e explorar todas as potencialidades latentes para que não se percam. E uma vez identificadas, importa também descobrir qual é o seu lugar onde possa desenvolvê-las plenamente, para não correr o risco de ficar tolhido em um “bom emprego” e parar de progredir.

Porque

“a fim de continuar capacitado a ter a experiência do flow ao longo da vida inteira, é imprescindível ser o senhor da própria energia psíquica. Do ponto de vista da teoria do flow, os aspectos mais cruciais da autogestão são aprender a alinhar atenção, tempo e hábitos com a vida pessoal.”

 

Ao final desse livro Mihaly sintetiza o que aprendeu com líderes visionários sobre a melhor maneira de comandar organizações que concretizam lucros razoáveis, mas, acima de tudo, contribuem para a felicidade e o bem-estar dos seres humanos:

  • Uma visão além do ser que implica em dar o melhor de si, ajudar as pessoas e construir um mundo melhor. Quando esses elementos estão presentes, os negócios são transformados de uma ferramenta de geração de lucros em um experimento humano e criativo para melhoria da vida e os objetivos dos negócios, assim, não são reduzidos meramente a retornos financeiros.
  • Como funciona o bom negócio tem a ver não só com a visão, mas, sobretudo, com a relação de confiança e de respeito, porque qualquer grupo de pessoas trabalhando por um objetivo comum é mantido numa mesma direção por uma combinação de auto-interesse e interesse comum. Para conseguir isso confiança e respeito são imprescindíveis, além de demonstrar genuíno interesse pelo crescimento pessoal dos seus integrantes, proporcionando oportunidades de flow no ambiente de trabalho, pois quando o flow não se faz presente, o trabalho se transforma em escravidão.
  • E não basta a visão poderosa e ambiente que possibilite flow e crescimento das pessoas, se a natureza do negócio não gera satisfação e compromisso com a causa das pessoas que nela trabalham.
  • Os bons negócios dependem em grande parte dos valores que os sustentam e, em grande parte, são os mesmos das grandes tradições religiosas. São duas as formas que levam a maioria das pessoas ao aprendizado dos valores: o primeiro é o seguimento dos líderes que adotam esses princípios e o segundo, mais comum, é aquele seguido quando se vai nas pegados dos pais.

Para concluir é indispensável o exemplo das lideranças para que o mundo dos negócios tenha reais condições de concretizar seu potencial de ajudar a torna a vida mais feliz para todos.

Espero que essas reflexões contribuam para o seu desenvolvimento. Como coach de lideranças, consultor e educador é meu propósito contribuir com a expansão da consciência para que cada pessoa seja a melhor pessoa e profissional que puder. Estamos todos aqui para evoluir.

Coloco-me à disposição para servir.

Robson Santarém

Coach ACC/ICF, Consultor, Palestrante, Professor, Escritor

Membro do Comitê da Comunidade de Coaches dos Países de Língua Portuguesa

Autor dos livros: Millennials: o mundo é melhor (Qualitymark Editora), Precisa-se (de) Ser Humano – Valores Humanos: Educação & Gestão; As bem-aventuranças do líder: a jornada do herói; A Perfeita Alegria – Francisco de Assis para Líderes e Gestores (Ed. Vozes) e Autoliderança – uma jornada espiritual (Ed. Senac Rio) e coautor de Puer & Senex – Dinâmicas Relacionais (Ed. Vozes)